Colton Harris-Moore: O Criminoso Herói

Texto I



Foi do portuense Siga ou do norte-americano Jesse James que me lembrei quando conheci o caso de Colton Harris-Moore. Nos EUA comparam-no a Huckleberry Finn ou a Robin dos Bosques. Prefiro vê-lo como apenas como um criminoso jovem, embora com estilo, e não como um justiceiro que rouba aos malvados ricos e entrega aos pobres ou uma simples vítima órfã de um pai cruel.

Tal como Siga, criminoso jovem desde criança, Colton Harris-Moore entrou no mundo dos assaltos muito cedo. Tal como Jesse James é encarado como um rebelde com causa, cheio de estilo e a quem apetece ajudar e bater palmas.

Colton Harris-Moore só tem 18 anos mas uma vida cheia de aventuras. Num churrasco de família, ele, criança, e o pai discutiram, tendo terminado com o homem a apertar o pescoço ao miúdo. A mãe saiu de casa e levou-o. Ainda não tinha feito nove anos e já a polícia o procurava. Tinha roubado uma bicicleta. Foi o primeiro de um currículo gigante, construído em dez anos.

A seguir às bicicletas vieram automóveis, barcos e aviões, que pilotou mesmo se ter qualquer aula, tendo sido quanto baste a leitura de um manual que encomendou pela internet. Ao longo de dez anos foi construindo uma legião de fãs através da internet. No YouTube há hinos que o glorificam. No Facebook tem milhares de seguidores. Que se saiba, nenhuma delas foi vítima de Colton.

À medida do currículo criminal foi ainda alimentando um conjunto de estórias mais ou menos míticas. Conta-se que assaltou um carro da polícia e roubou as armas aos agentes. Uma proeza que levou os seus seguidores ao delírio mas que o fez entrar na lista dos mais perigosos, segundo a polícia. Numa perseguição descalçou-se e fugiu pela floresta, deixando a polícia à nora. Foi quanto baste para ser o “barefoot burglar”, o "ladrão de pé descalço".

Dizem as autoridades que o rapaz, do alto do seu 1,96 metros de altura, é autor de mais de 100 assaltos nos EUA – estados de Washington e Idaho – e no Canadá. No início preferia, de facto, roubar aos ricos. No entanto, ao contrário de Robin Hood, não distribuía o apuro pelos pobres. Ou melhor, fazia-o apenas a um pobre, ele próprio. Depois começou a roubar toda a gente.

Não distinguia as casas onde entrava para tomar duche, os frigoríficos que remexia em busca de gelado de menta, os bens e objectos que necessitava para a sua vida no mato. Depois foi mais longe. Até aos barcos para poder viajar entre as várias ilhas do estado de Washington, chegando aos aviões. Três. Os fãs não perderam tempo e criaram t-shirts com a frase “Fly, Colton, Fly”. Da primeira vez andou cerca de 480 quilómetros até despenhar o aparelho numa reserva índia. Saiu intacto. Nas duas outras vezes a viagem chegou ao fim de forma violenta mas o jovem safou-se sempre. Pelo menos as autoridades encontraram os destroços e não o encontraram a ele.

A revista Time diz que é o teenager mais procurado dos EUA. Numa visita à roulote onde a mãe mora, deixou um bilhete: "A polícia quer brincar? Isto não é um jogo. É guerra. E diga-lhes isso".

Texto II



O americano Colton Harris-Moore, de 18 anos e 1,98 m de altura, está adquirindo a fama de herói popular como o "bandido descalço" nos Estados Unidos e Canadá, após uma série de roubos e fugas extraordinárias da polícia, que alimentam uma nascente lenda.

Idealizado por alguns como um "Billy the Kid" moderno, mas visto por outros como um ladrão comum, Harris-Moore tem uma ficha criminal que teve início aos 12 anos e se caracteriza por tirar os tênis antes de fugir em disparada.

Capturado em 2007 e enviado para um centro de recuperação social perto de Seattle, o adolescente de Camano Island (ao norte de Seattle) escapou no ano seguinte. Foi então que sua lenda começou a crescer.

Poucos meses depois era perseguido pela polícia ao dirigir um veículo Mercedes-Benz roubado perto da casa da mãe, quando saltou do carro em movimento e correu para uma floresta.

Entre os objetos recuperados no automóvel estava uma câmera digital, com a qual havia feito um autorretrato. A fotografia, que o mostra com um sorriso autossuficiente, é agora o rosto público de um jovem que virou ídolo na internet.

Os roubos continuaram em Camano Island, enquanto Harris-Moore prosseguia como fugitivo e os vizinhos o acusavam à polícia. Em poucos meses virou suspeito de mais de 50 assaltos em três condados.

Mas Harris-Moore - um gigante de 1,98 metro que obviamente se destaca na multidão - é um fantasma para a polícia.

Em setembro foi visto no vídeo de uma câmera de vigilância durante uma tentativa de assalto nas remotas ilhas San Juan, na fronteira entre o estado de Washington (norte dos EUA) e Vancouver (Canadá).

Depois de roubar 2.500 dólares de um caixa automático na mesma noite, se cortou e deixou um rastro de sangue, identificado com um exame de DNA.

O reaparecimento chamou a atenção da opinião pública e surgiram mais histórias sua habilidade de evitar as autoridades.

Um oficial do condado de San Juan disse quase prendeu Harris-Moore na floresta e tinha iluminado o suspeito, quando o mesmo "virtualmente evaporou" diante dele. Ele lembra as risadas do adolescente.

A lenda do "bandido descalço" ganhou um novo elemento em outubro, quando um avião privado caiu perto das Cascade Mountains ao leste de Seattle. A aeronave havia sido roubada em Idaho, uma área que registrara uma série de furtos em poucos dias.

Os investigadores não encontraram o piloto, mas poucos dias depois foi reportada a presença de um invasor em uma casa próxima. Quando a polícia chegou, o ladrão correu para um bosque próximo e abriu fogo contra os oficiais.

O bandido não foi localizado, mas os investigadores descobriram marcas de pés descalços no hangar de Idaho em que ficava o avião.

Em pouco tempo mais crimes foram atribuídos ao jovem, incluindo outro avião roubado, desta vez nas ilhas San Juan no dim de 2008.

A mãe de Harris-Moore, Pam Koehler, não duvida que o filho seja capaz de pilotar um avião se desejar.

"Ele é inteligente. Fizeram um teste de Q.I. há alguns anos e ficou três pontos abaixo de (Albert) Einstein. Desejo muito que tenha sido ele quem roubou estes aviões, ficaria muito orgulhosa", afirmou.

O culto a Harris-Moore não para de crescer e inclui uma comunidade de fãs na rede social Facebook. Além disso, um homem em Seattle começou a vender camisas com a foto do jovem.