Final do Hóquei (Vancouver 2010)

Canadá faz o gelo ferver, vence clássico com os EUA e arranca o ouro no hóquei

Em partida dramática, donos da casa garantem o título na prorrogação e fazem a festa dos milhares de fanáticos que lotaram as arquibancadas.

Nas ruas de Vancouver, era difícil perceber algum movimento na tarde de domingo. Enquanto o gelo fervia dentro do Canadá Hockey Place, a região em volta do ginásio parecia abandonada, como em uma cidade-fantasma. O país parou para acompanhar o evento mais aguardado das Olimpíadas de Inverno, mas a calmaria só durou até a última sirene. Em uma partida eletrizante, a equipe canadense bateu os Estados Unidos na final do hóquei e comemorou o título com os milhares de fãs que lotaram o ginásio. A vitória heroica, por 3 a 2, só veio após altas doses de drama, com o gol de ouro na prorrogação, fazendo o país inteiro explodir em euforia.

Sidney Crosby explode em alegria logo depois de marcar o gol do título para o Canadá na prorrogação 

Após ceder o empate em 2 a 2, a 24 segundos do fim do tempo normal, o Canadá levantou a cabeça na prorrogação e venceu com um gol do ídolo local Sidney Crosby, que deu números finais ao jogo e garantiu o primeiro ouro do hóquei canadense conquistado dentro de casa.

Bem longe dali, antes da partida, o presidente americano, Barack Obama, anunciou em Washington que tinha apostado uma caixa de cerveja com o primeiro ministro do Canadá, Stephen Harper. Com a perda do título, o homem mais poderoso do mundo tem agora uma nova missão: entregar o prêmio da aposta ao colega.

O ginásio ficou lotado para a final de domingo

O momento mais aguardado

Desde o início da disputa do hóquei sobre gelo nesta edição dos Jogos, já se previa uma final clássica entre Canadá e EUA. Na primeira fase, os americanos esquentaram ainda mais a rivalidade, batendo os adversários por 5 a 3. Neste domingo, veio a resposta. Mas não sem boas doses de ansiedade e sofrimento.

A sete minutos do fim do período inicial, os donos da casa abriram o placar com gol de Jonathan Toews, pegando o rebote da batida de Mike Richards. Foi a primeira explosão da torcida, que coloriu de vermelho as arquibancadas do ginásio. No primeiro intervalo, os canadenses mantiveram o 1 a 0, vantagem que refletia a iniciativa da equipe, com 10 chutes a gol contra seis dos americanos.

No segundo período, para o delírio dos torcedores, Corey Perry tratou de ampliar a diferença no placar, pegando uma sobra de cara para o gol e fuzilando o goleiro Ryan Miller, que nada pôde fazer. Os americanos, no entanto, não se entregaram. Com o aumento do volume de jogo, conseguiram descontar já no fim da parcial, com Ryan Kesler, em lance curioso, com o puck passando entre o braço e a cintura do goleiro Roberto Luongo.

Zach Parise fez o gol de empate dos EUA no fim do
tempo normal, mas não conseguiu o título

Desfecho eletrizante

A ansiedade tomou conta do terceiro período, e isso ficava evidente no silêncio da torcida, que aguardava os 20 minutos passarem para soltar o grito de campeão. O jogo seguiu equilibrado até os últimos segundos do tempo normal, quando o americano Zach Parise aproveitou uma sobra do goleiro Luongo e marcou um gol heroico, a 24 segundos do fim, roubando o ouro das mãos dos canadenses. Enquanto os jogadores dos EUA festejavam, o ginásio se recolhia ao silêncio. E a grande final foi à prorrogação.

A tristeza em que o torcedor mergulhou não durou muito tempo. E a explosão final de felicidade veio pelo taco de Sidney Crosby, de 24 anos, ídolo dos torcedores locais. Ele fez o gol de ouro no tempo extra, a 7m40s do fim, garantindo o título e fazendo o ginásio ferver na cor vermelha.